As tuas fraquezas são as tuas forças

Hoje queria-te contar uma história que mostra como as nossas fraquezas são as nossas maiores forças!

Em 1986, fui para Macau, viver com os meus pais e a minha irmã. Eu não queria ir. Disse aos meus pais que não queria ir. Quando lá cheguei, mal saí do avião para o ar de Macau, odiei tudo. O cheiro deixava-me enjoada. A humidade. Estar sempre transpirada, mal chegava à rua. Ficava super irritada!

O primeiro ano foi terrível, como nos tinham avisado. “O primeiro ano é sempre o pior”. É a adaptação. E eu só queria que esse ano acabasse.

Não demorei muito tempo a adaptar-me a Macau, a adorar os cheiros, a humidade, o calor e até… a falta de sol e o céu cinzento.

Mas nesse ano, a pior coisa foi uma pessoa que me fez bullying. Que me começou a perseguir, e eu nem sei porquê!

No primeiro dia de aulas de Português (ou o que me lembro como o primeiro), a professora pediu-me para ler um texto. Eu senti-me tão mal, queria tanto que aquilo não estivesse a acontecer, sentia que aquelas pessoas todas me estavam a avaliar. Não conhecia ninguém, tinha medo de todos.

Li a toda a velocidade, sem parar, só queria que aquilo acabasse. No final, levantei os olhos, e estava a turma toda virada para trás, a olhar para mim (sempre me sentei na última fila…).

Foi muito mau, senti-me super envergonhada, nem percebi porque tomei aquela decisão, mas já estava.

Terá sido por isso? Por ele sentir o meu medo, a minha fraqueza? O meu medo de que não gostassem de mim?

E talvez tenha começado aí a sua campanha para me deitar abaixo e provar que eu não valia nada (ou é o que eu senti sobre isso na altura). Um dos divertimentos, ao fim de eu deixar as coisas passarem muitas vezes – a dizer: “Está quieto. Porque é que estás a fazer isso?” – era espetar-me o lápis afiado no pescoço, nas aulas de história (ele estava sentado atrás de mim). Nunca mais me vou esquecer daquelas aulas de história e do medo que tinha, de entrar nelas para, mais uma vez, ser atacada…

Depois de muito tempo, que não sei dizer quanto foi.. terá sido no final de 3 meses, 6 meses, um ano? Não sei, mas houve um dia em que não aguentei mais. Em que já não queria saber se não era aceite pelos “populares”. Em que só queria que ele me deixasse EM PAZ. E não queria saber se ele nunca mais me falasse, se ninguém nunca mais me falasse, só queria que ele parasse.

E nesse dia, quando ele veio ter comigo e me sussurou uma coisa qualquer, que não me lembro o que foi, eu disse-lhe: “Está calado seu $%& de %$%”.

Estava lá toda a turma, encostada à parede, à espera que nos abrissem a porta para entrarmos para a aula.

Ele deve ter ficado espantado, não estava à espera, e perguntou-me, bem alto: O que é que disseste?

E eu respondi, alto e bom som: “Está calado seu $%& de %$%”.

O verniz tinha estalado. Já nada me interessava… o que a turma pensava, o que a turma pensava de mim, o que ele ia fazer ou deixar de fazer. A opinião dele…

Só queria que aquilo parasse, porque não aguentava mais!

O que é que isto tem a ver com as nossas maiores fraquezas serem as nossas maiores forças?

Aqui está a minha fraqueza: ter medo que as pessoas não gostassem de mim. E para isso, aceitei ser tratada daquela maneira, durante dias e meses a fio.

Mas chegou uma altura, em que já não dava mais.

E foi nesse dia que eu aprendi a não deixar que pisem os meus pés. Foi nesse dia que eu aprendi… sim, quero que as pessoas gostem de mim, mas se me pisarem os pés.. adeus, não preciso mais que me aceites, só quero que desapareças da minha frente.

Por querer tanto ser aceite, por querer tanto que ele me aceitasse, cheguei a um ponto em que não aguentava mais e finalmente percebi:

É bom que os outros gostem de nós, mas há pessoas que não interessam. Há pessoas que não são para nós. Há pessoas a quem temos que mostrar os nossos limites. Há comportamentos que são inaceitáveis.

Até aí, talvez gostasse só de defender os outros.

A partir daí, passei a gostar de me defender a mim!

Se não estivesse disposta a sacrificar tanto tempo o meu próprio bem estar, para ser aceite… ao ponto de ele abusar mais e mais . E eu perceber que afinal ele não era uma pessoa por quem eu queria ser aceite…

Provavelmente tinha dito qualquer coisa a alguém, tinha-me queixado, tinha chorado e dito o que se passava em casa.

Mas não, o que é que iam pensar de mim as pessoas da turma? Que eu era uma queixinhas? Ia por outra pessoa debaixo da carruagem?

Se não tivesse disposta a sacrificar-me tanto para ser aceite, nunca tinha aprendido esta valiosa lição: Quem está contra mim, não está comigo.

E não preciso de aceitar na minha vida, as pessoas que não estão comigo. Não preciso de as aceitar, desculpar, ou sequer ser simpática para elas. Posso ser mesmo, do mais antipático que há ;)

Claro que agora posso olhar para o passado e ver que eu criei esta situação e tudo isso.

Mas de uma maneira ou outra, as nossas “fraquezas” dão-nos forças. Dão-nos um factor diferente. Dão-nos caminhos nas nossas vidas!

Por isso, qual é a tua maior “fraqueza” agora?
Como é que isso te está a ajudar, ou te pode ajudar, se perceberes como é uma vantagem?

E além disso, todas as nossas “fraquezas” nos mostram no que trabalhar e o que aceitar em nós próprias!

Podes perguntar: se eu aceitasse esta “fraqueza” totalmente em mim, como é que agia de maneira diferente? Como é que via as coisas doutra maneira?

Beijinhos,
Lena

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